Alva

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São cinco e pouco da manhã. O céu é tingido de rosa, enquanto a lua é substituída pelo sol que nasce aos poucos, timidamente, sem pressa nenhuma de aparecer e despertar as pessoas.  A cidade inteira dorme e não noto nenhuma casa ou edifício que esteja com a luz acesa. A vista disso é linda, a cidade e o momento agora são meus.

Do meu quarto voam pensamentos pela janela. Fim de noite combina com divagações. Aquele embaralhado de pensamentos… pensamentos sem linearidade, pensamentos avulsos, pensamentos soltos, pensamentos perdidos. E esses pensamentos não me conduzem a conclusões. Esses pensamentos me conduzem a agonia por me encontrar numa situação que eu quis me livrar no momento que coloquei os pés.

Queria ser mais explícita. Queria estar despida de qualquer possível vergonha ou acanhamento. Mas o que me falta mesmo são palavras. A falta delas para descrever o que eu sinto é um veneno para o sossego que tanto prezo. Não conseguir definir, exemplificar. O meu coração tá pesado, louco para que seja vomitado tudo que eu sinto e ele se alivie.

Tem sido dias difíceis.

Covil

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Quase sempre tento fugir. Me deleito em um mundo tão particular que não há sinal de fechaduras ou qualquer senha para que os convidados adentrem. Esse mundinho se resume a mim, as minhas digressões e um sossego da vida real, das pessoas e dos meus problemas.

Consigo esquecer um pouco qualquer anseio por grandes mudanças, grandes pensamentos ou grandes questionamentos… tudo tão hiperbólico que me consome sem chances de tranquilidade. Como se toda minha vida se dissolvesse em minutos e eu tivesse que correr contra os milésimos para que tudo que eu tanto anseio se concretize.

No final das contas eu fujo, mas não do lugar físico, não da minha casa, não dos meus amigos, não da minha família. Eu fujo de mim. E dessa pressa corrosiva por instantaneidade.

Confiar

confiar

Vai… desliza sua mãos entre os fios do meu cabelo enquanto nossos olhares nos conectam em um só. Me diz, só hoje, o que se passa com você, só que dessa vez de verdade. Sem rodeios, curvas. Enquanto estivermos juntos  não existira dissimulação, nem mentiras, nem segredos. Enquanto estivermos juntos, como estamos agora, não vão haver barreiras. Vai, eu consigo ver teu sofrimento e você consegue ver o meu por não poder te ajudar. Sua cabeça anda tão complicada como a minha era? Ou pior? São tantos questionamentos para alguém que fica tão fechado. Não vai adiantar se esconder de você mesmo, nem se trancar no seu mundinho paralelo. Você sabe que precisa encara-los. É difícil. Bem difícil. Mas vai por mim, é necessário. Não vai haver milhões de litros de destilados, nem maços de cigarros e nem gramas de maconha que irão te fazer esquecer disso. Por algum tempo, talvez. Mas não para sempre. Vai, manda pra longe essa barreira e olhe para o lado. Tô aqui. Do seu lado. Para quando você precisar. Prometo.

O que restou de nós

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Já revirei o baú de lembranças e procurei nos sentimentos empoeirados um restinho de você. O tempo passou rápido demais e levou consigo todos os meses, dias, horas e segundos que vivemos juntos para bem longe. Longe de tudo. De amigos próximos, lugares frequentados e gostos musicais. Conseguiu – depois de tanto sofrimento – levar você e todas minhas memórias para bem longe. Cheiros, gostos, sensações. Não sobrou sequer nostalgias para marcar alguma página do livro. Confesso que tentei folhear-lo em busca dos sentimentos perdidos, mas não encontrei nada. Sequer me lembro daquela música que você me disse que gostava e que te dava sensação de liberdade enquanto você dirigia na chuva. As vezes me dá uma angústia de não ter um pedaço de papel para me fazer lembrar o que eu era quatro anos atrás. Ou algo palpável. Mas talvez o destino agiu diferente e pregou uma peça limpando todos os rastros e destroços que você fez com meu coração e na minha mente. Destino, Deus ou eu mesma… Sei lá. A única sensação que me resta de tudo isso é o alívio e liberdade. Libertei meu coração, meu sofrimento e a tristeza e de brinde ganhei minha felicidade de volta.

Memórias daquela noite

memorias daquela noite

A maioria das minhas histórias começam por começos. Inventados, idealizados, descritos. Talvez por isso, elas nunca tenham tido um final concreto. Com nós não vai ser diferente, apesar que a história seja diferente e comece pelo meio. Talvez porque eu queira que o final seja mais feliz. Mais doce. Mais clichê. Gosto de inventar moda.

Sobre os começos… sempre tão bons. Tão descomplicados… Depois de um sábado que eu idealizava tempos atrás o domingo passou correndo. A noite tinha sido cansativa, e longamente curta. Acordei com uma notificação no Whatsapp de alguém que tinha a inicial com a letra “T”. Sabia que era você. O coração bateu mais forte, talvez por você, talvez por uma reticências onde eu esperava apenas um ponto final. Um oi. Um tudo bem?. Assuntos que não acabavam como a noite anterior. Um dia sem se falar e uma manhã seguida de bom dia. Boa aula. Boa semana.

Era uma daquelas aulas chatas em que o tempo não passa. Professor explicando algo sobre reações químicas e o modo de calcular a entalpia de formação. Não posso mexer no celular. Nem me mover muito bruscamente. Muito menos contar o final de semana para minha amiga que senta bem ao meu lado. Aula parada. Pedido para ir ao banheiro aceito. Decidi descer para o térreo e o destino brincou de ser legal. Te vi. Eu de legging. Eu com sono. Eu de chinelo. Faíscas de novo. E dessa vez uma novidade: Seu olhar mais fixo. Seu sorriso mais aberto (Como ele é lindo). E um beijo estralado na bochecha. Será que meu coração vai parar de bater tão rápido quando você estiver por perto?

A semana passou rápida e de brinde nossas conversas diárias. Eram noites longas que passavam rápidas. A conversa durava até as duas da manhã com um gostinho de quero mais. Nessa hora, colocava minha playlist indie e me sentia numa comédia romântica. Eu estava mesmo me dando tão bem com um cara bonito, estiloso e tão parecido comigo? Talvez essa história seja diferente. Um começo inesquecível, um meio gostoso… e uma história que parece estar sem ponto final.

Aquela noite

aquela noite

Senti seu perfume de longe. A fragrância que me arrepia até hoje percorreu meus sentidos e me fez suspirar em silêncio. Você estava por perto, e podia sentir seu olhar me fitando de costas. Era a primeira vez que eu o via fora da escola, e consequentemente a primeira vez que você não me via de moletom, chinelo e legging. Talvez meu sexto sentido me avisou que você viria em uma dessas festas que eu detestaria ir se não fosse essa intuição. Mas o ponto foi: Tinha me arrumado para aquela noite. Demorei um tempão para fazer a maquiagem idêntica a um desses vídeos no youtube, tinha achado uma saia de pedraria linda e usava um salto que me deixava – menos – baixinha. Não me virei e fui grata por isso.

Nunca entendi muito bem essa tal de química… Mas era fato que desde o momento que meu olhar cruzava com você no corredor da escola uma faísca aparecia. Seu jeito marrento, alternativo e quieto sempre me deixou com uma pulga atrás da orelha. Isso sempre me encantou. Enquanto a maioria das meninas amavam os bombadinhos ultrajados de blusa de grife, calca de grife, e tênis de grife, eu me contentava com um de blusa xadrez e all star. E eu gostava disso.

As luzes piscando, a musica bombando e as pessoas dançando. Você e o típico copo de Whisky de lado observando algumas meninas te olhando. Uma faísca entre olhares e meu corpo inteiro eletrizado por ver você. Passos lentos acompanhados de batidas de coração rápidas e o estômago doendo de ansiedade. E minhas pernas ainda estão bambas. Nesse salto gigante. Por fora pareço estável, mas por dentro meu corpo inteiro entra em erupção. Coisa de paixão platônica misturada com a realidade. Você se aproxima e me dá um oi. Com o hálito de álcool misturado com o restinho de cigarro e uma bala de menta. Odiaria tudo isso se não fosse você.

Nos demos bem. Descobrimos coisas em comum e me senti menos estranha em meio a tanta gente se divertindo alucinadamente. O assunto fluía e o som alto nos obrigava a aproximação. Sussurrar palavras no seu ouvido e ouvir sua voz meio rouca embriagar meus pensamentos abolia minha razão. Me concentrava em seus olhos… a razão do meu tormento. Não consiga entender a fluidez da conversa, dos assuntos, dos gostos. Tudo igual. A musica se intensificou e você também. Sua mão no meu ombro. Na minha nuca. Sua boca a dez centímetros. Cinco. Três. Um. Zero. Gol. Química de meses explanada em um beijo idealizado de olhares atrás. Talvez um começo de uma história. Talvez um amor de uma festa só.