Alva

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São cinco e pouco da manhã. O céu é tingido de rosa, enquanto a lua é substituída pelo sol que nasce aos poucos, timidamente, sem pressa nenhuma de aparecer e despertar as pessoas.  A cidade inteira dorme e não noto nenhuma casa ou edifício que esteja com a luz acesa. A vista disso é linda, a cidade e o momento agora são meus.

Do meu quarto voam pensamentos pela janela. Fim de noite combina com divagações. Aquele embaralhado de pensamentos… pensamentos sem linearidade, pensamentos avulsos, pensamentos soltos, pensamentos perdidos. E esses pensamentos não me conduzem a conclusões. Esses pensamentos me conduzem a agonia por me encontrar numa situação que eu quis me livrar no momento que coloquei os pés.

Queria ser mais explícita. Queria estar despida de qualquer possível vergonha ou acanhamento. Mas o que me falta mesmo são palavras. A falta delas para descrever o que eu sinto é um veneno para o sossego que tanto prezo. Não conseguir definir, exemplificar. O meu coração tá pesado, louco para que seja vomitado tudo que eu sinto e ele se alivie.

Tem sido dias difíceis.

Ciclo

TEXTO_ciclo

 Eu odeio essas madrugadas rolando na cama, sem saber para onde ir. Meu coração toma as rédeas dessas noites solitárias e suga toda minha energia e força para continuar lutando contra a força de esquecer você.

  Arrebatadora, impiedosa… Seu sorriso bobo, seus olhos meigos e sua voz com sotaque carregado paulista me remetem a mente, adicionado com as declarações em que eu tanto suspirava. Queria poder voltar no passado e concertar tudo. Concertar aquela parte em que eu te conheci. Ou concertar a parte que eu não sentia saudade de não gostar de ninguém.

  Tô cansada de gostar de alguém. Tô cansada de ocupar minha madrugada assistindo um filme da nossa história na minha cabeça. Tô cansada de lembrar de você. Tô cansada de ocupar minhas madrugadas escrevendo por esse sentimento sufocante. Procuro qualquer outra palavra no dicionário, mas sufocante é a única que consegue expressar em um só significado essa dor do peito, essa angústia, essa saudade…

Madrugada

GIRL RAIN

Ela observava da janela do seu apartamento as gotas de chuva caírem no asfalto e correr ladeira abaixo. Costumava pensar que fosse uma maestra e comandava cada pingo que caia, em perfeita sincronia, formando uma orquestra.

Talvez a força que tivesse no peito para enfrentar seus problemas, se esgotasse cada vez que encostava o dedo no violão e se punha a tocar as suas melódias favoritas na madrugada escura. Chegava a ficar tão cansada, que dormia ali mesmo, no cantinho perto da janela, e só acordava quando o sol dava os primeiros sinais com os raios em seu rosto cansado.

De poucas coisas tinha certeza, e uma ela tinha uma convicção: A vida passava por ela como um vendaval sem controle. E ela gostava disso. Gostava de se sentir fora do comando, de ser guiada, de se aventurar em algo desconhecido. Talvez estivesse errada, mas ela era uma errante.

Sua combinação favorita era janela aberta, madrugada e chuva. Quando não se punha a embalar seu apartamento com o som do seu violão, lia. Nada quebrava o silêncio do seu espaço solitário, exceto pela campainha tocando naquela dia. Um homem com cara de menino, vestindo um pijama xadrez, sorrindo torto e olhando fixamente nos seus olhos disse: Sabe, você toca violão muito bem… Mas percebi que falta alguma coisa.Eu sei cantar. Que tal uma companhia para um dueto?