Alva

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São cinco e pouco da manhã. O céu é tingido de rosa, enquanto a lua é substituída pelo sol que nasce aos poucos, timidamente, sem pressa nenhuma de aparecer e despertar as pessoas.  A cidade inteira dorme e não noto nenhuma casa ou edifício que esteja com a luz acesa. A vista disso é linda, a cidade e o momento agora são meus.

Do meu quarto voam pensamentos pela janela. Fim de noite combina com divagações. Aquele embaralhado de pensamentos… pensamentos sem linearidade, pensamentos avulsos, pensamentos soltos, pensamentos perdidos. E esses pensamentos não me conduzem a conclusões. Esses pensamentos me conduzem a agonia por me encontrar numa situação que eu quis me livrar no momento que coloquei os pés.

Queria ser mais explícita. Queria estar despida de qualquer possível vergonha ou acanhamento. Mas o que me falta mesmo são palavras. A falta delas para descrever o que eu sinto é um veneno para o sossego que tanto prezo. Não conseguir definir, exemplificar. O meu coração tá pesado, louco para que seja vomitado tudo que eu sinto e ele se alivie.

Tem sido dias difíceis.

Sobre sentir

Captura de Tela 2015-06-28 às 22.57.36Sentir não carece de complicação e se precisar, vai por mim, não vale a pena.

Enredos labirínticos só são bonitinhos em filmes de comédia romântica onde o telespectador sabe que o desfecho será ok e toda a angústia e dor da personagem foi recompensada. Se esse não for esse o seu caso, amar ou o caminho que te leva a isso não deve significar agonia ou incerteza o tempo todo.

A vida já é complicada demais para mais um fardo pesar no ombro sem nenhuma garantia. Sentir algo por alguém é – ou deveria – ser o alívio dos problemas e um colo para anestesiar as pancadas que a vida costuma dar.

As vezes a vontade de ter alguém do lado acaba levando as pessoas que não deveriam a ocupar o posto de namorado, ficante ou pessoa-que-eu-tô-gostando.

Mas oh: a dor de sofrer por alguém é bem pior que a da solidão.