Sobre sentir

Captura de Tela 2015-06-28 às 22.57.36Sentir não carece de complicação e se precisar, vai por mim, não vale a pena.

Enredos labirínticos só são bonitinhos em filmes de comédia romântica onde o telespectador sabe que o desfecho será ok e toda a angústia e dor da personagem foi recompensada. Se esse não for esse o seu caso, amar ou o caminho que te leva a isso não deve significar agonia ou incerteza o tempo todo.

A vida já é complicada demais para mais um fardo pesar no ombro sem nenhuma garantia. Sentir algo por alguém é – ou deveria – ser o alívio dos problemas e um colo para anestesiar as pancadas que a vida costuma dar.

As vezes a vontade de ter alguém do lado acaba levando as pessoas que não deveriam a ocupar o posto de namorado, ficante ou pessoa-que-eu-tô-gostando.

Mas oh: a dor de sofrer por alguém é bem pior que a da solidão.

O que restou de nós

--------2

Já revirei o baú de lembranças e procurei nos sentimentos empoeirados um restinho de você. O tempo passou rápido demais e levou consigo todos os meses, dias, horas e segundos que vivemos juntos para bem longe. Longe de tudo. De amigos próximos, lugares frequentados e gostos musicais. Conseguiu – depois de tanto sofrimento – levar você e todas minhas memórias para bem longe. Cheiros, gostos, sensações. Não sobrou sequer nostalgias para marcar alguma página do livro. Confesso que tentei folhear-lo em busca dos sentimentos perdidos, mas não encontrei nada. Sequer me lembro daquela música que você me disse que gostava e que te dava sensação de liberdade enquanto você dirigia na chuva. As vezes me dá uma angústia de não ter um pedaço de papel para me fazer lembrar o que eu era quatro anos atrás. Ou algo palpável. Mas talvez o destino agiu diferente e pregou uma peça limpando todos os rastros e destroços que você fez com meu coração e na minha mente. Destino, Deus ou eu mesma… Sei lá. A única sensação que me resta de tudo isso é o alívio e liberdade. Libertei meu coração, meu sofrimento e a tristeza e de brinde ganhei minha felicidade de volta.

O que eu costumava ser

era

 Sempre fui uma convicta apaixonada. Apaixonada, mil vezes apaixonada. Sempre precisei daquele oxigênio alheio. Quem se apaixona fácil entende um pouco isso. Era acostumada a ver o lado bom de todo mundo. De amigos. Colegas. Amores. De todo mundo. O lado bom, e SÓ o lado bom. Desprezava os defeitos e enaltecia as qualidades. Sempre. Talvez por um tempo fui assim… feliz por depender da felicidade de alguém, e triste pelo mesmo motivo. Por um tempo. Esse tal do tempo passou, e na mesma lentidão, fui desapegando e fui me colocando em primeiro lugar. Egoísmo? Que seja. Percebi que a unica pessoa que nunca vai me decepcionar… será eu mesma.