Covil

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Quase sempre tento fugir. Me deleito em um mundo tão particular que não há sinal de fechaduras ou qualquer senha para que os convidados adentrem. Esse mundinho se resume a mim, as minhas digressões e um sossego da vida real, das pessoas e dos meus problemas.

Consigo esquecer um pouco qualquer anseio por grandes mudanças, grandes pensamentos ou grandes questionamentos… tudo tão hiperbólico que me consome sem chances de tranquilidade. Como se toda minha vida se dissolvesse em minutos e eu tivesse que correr contra os milésimos para que tudo que eu tanto anseio se concretize.

No final das contas eu fujo, mas não do lugar físico, não da minha casa, não dos meus amigos, não da minha família. Eu fujo de mim. E dessa pressa corrosiva por instantaneidade.

Daqui uns dez anos…

Daqui uns 10 anos

Daqui uns dez anos… É impossível imaginar o rumo que minha vida tomará e mesmo assim eu ainda tento. Quero descobrir se já vou ter os três filhos que planejo, se já vou estar casada e como ele será. Vou ser uma advogada séria e clássica ou uma socióloga maluca e contestadora? Ou um pouquinho de cada? Como vou ter encontrado meu marido? Sei lá. Será que a gente vai se esbarrar em algum teatro diferente e ser amor a primeira vista? Será meu colega de classe na faculdade? Ou algum amigo que se tornou algo mais? Ele vai ser ruivo, moreno ou loiro? Olhos claros ou escuros? E meus filhos? Vão parecer comigo?

Ano de decisão e vestibular. Mil e uma perguntas e poucas repostas. Ano de vestibular é o ano que sua vida inteira passa pelos seus olhos enquanto o professor de química tenta resolver um exercício que você julga impossível. E justo essa explicação vai cair no ENEM ou na Fuvest. É o ano em que você não sabe o que quer… ou se sabe imagina como será sua vida financeira. Como você vai convencer seus pais a mudar de cidade. De estado. De região. E morar sozinha. Se aventurar em algo totalmente novo e desconhecido. Largar a vidinha mais ou menos da sua cidade para tentar a sorte em uma cidade gigante e cheia de oportunidades. Ou seria uma cidade formigueiro que um membro não faz falta? Sei lá. Ano de vestibular é assim. Se sentir muito velho e muito novo. Tudo ao mesmo tempo. Ser quase adulto e quase adolescente. Época de se sentir estranho.

Pensamentos aleatórios

 pensamentos aleartorios

O tempo vai passando tão diferente de nós. Nós. Eu. Você. Juntos? Ou não? Nós. Conjunto de paradoxos. Talvez paradoxo é o melhor que nos defina, eu em uma ponta, você em outra. O tempo vai passando, e a distância vai aumentando de uma maneira que nem a matemática acharia um coeficiente para explicar isso. Talvez seja isso… explicar. Eu sempre tentei fazer isso com qualquer um. Inclusive você. E até hoje não consegui decifrar nada, muito menos achar. Talvez “um” cara, talvez “o” cara. Sei lá. Esse tal de tempo brincando de me fazer sentir angustia.

Ressaca moral

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Merda. Bebi um pouco além da conta e fiz coisas que não queria…conscientemente. Inconscientemente queria. Disse que estava com saudades. Que a nossa amizade valia muito pra mim. Imaginei coisas até demais e vi gente e coisas que não queria. Arrependimento é o que passa por mim agora, e enjoo. Como eu odeio essa sensação. As duas. Queria poder experimentar de sensações que nem imaginaria que acontecessem. E não vão acontecer. Monótono. Tá tudo assim… monótono. Tanta gente interessante para conhecer, e eu aqui. Vivendo nessa vidinha monótona, com as mesmas pessoas de sempre, mesmos assuntos de sempre, mesmas rodas de sempre. Quero algo novo. Quero viver menos mesmos. Quero tanto não sentir saudades de alguma pessoa que já foi muito importante para mim e simplesmente olhar-la como nada tivesse acontecido e poder apertar a mão de alguém que É importante para mim. Que me entenda um pouco. É isso que eu preciso… alguém que entenda – seria isso possível? – esse turbilhão de pensamentos tão desordenados que se passa por mim… Quero viver menos de passado, e a partir de agora protagonizar histórias de comédia adolescente alternativas. Essa tal da ansiedade por viver mais intensamente.

No meio de tudo

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Ando por ai, e no meio do percurso me deparo com uma barreira maior que eu poderia imaginar: Eu mesma. No meio de tudo, justo no meio. No meio de tudo, ou de nada. Não sei dizer. Não tenho pessimismo suficiente para jogar tudo para o alto e desistir, e nem um pingo de otimismo para me ajudar a dar mais um passo. Fico lá. Parada. Sentindo talvez angústia, desespero. Ou talvez a chance de parar por um pouco. Esperando alguns minutos (ou horas, ou dias, ou meses) por uma ajuda que ainda não apareceu, que ainda não estendeu a mão. E em meio a esse tempo de espera um sentimento de alívio surge pela pausa nos pensamentos, justo aqueles que alimentaram meus sonhos mais fantasiosos, minhas razões mais plausíveis, e vontades mais intensas. Pensamentos esses ritmados em uma orquestra monstruosa e descoordenada de pensamentos bombardados pela razão de tudo: O coração.

Abismo

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As vezes, num momento confuso em que minha imaginação transcende minha mente e controla meu corpo eu sinto mesmo que estou caindo em um abismo, e o pior: dentro de mim. A gravidade parece muito mais forte do que normalmente seria, e meu corpo muito mais leve do que é. Tento me agarrar em qualquer objeto ou construção mas nunca há nada. Apenas um pedaço de mim caindo sabe-se lá por quanto tempo. Talvez eu fantasie demais, ou faça drama, sei lá… mas ás vezes acho que isso nunca vai ter fim, um circulo vicioso comandado por um ser masoquista: eu mesmo.