Pausa para melancolia

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Tá tudo indo muito rápido e muito devagar. Minha mente, como sempre, está a mil por hora, junto com esse ano despedaçado de inutilidade. Jurava que ia ser bom. Mal passou um semestre e minha vida continua indo a mesma coisa. Não conheci muita gente nova. Não fui em lugares diferentes. Não encontrei alguém que se pareça comigo. Ando rodeada de gente, e mesmo assim me sinto vazia. Parece que o tempo e a idade moldam as pessoas para que sejamos padrão e nunca nós mesmas. Será que alguém vai conseguir me enxergar pelo que sou, sem precisar de uma bendita máscara? O tempo tá passando tão depressa e com eles meus sonhos e planos. Tão distantes. Minha força de vontade para lutar por eles também. Maldita insonia. Maldito surto da madrugada. Não entendo como consigo ser tão bipolar e mesmo assim ser tão previsível. Droga. Gosto de controlar tudo, mas não consigo de jeito nenhum controlar minha mente. Porque tão confusa, indecisa e fraca? Queria poder saber lidar com tudo que vem aparecendo de forma balanceada. Mas não consigo sequer aumentar minha nota de química, quem dirá todo o resto. Preciso da minha hora dobrada. Preciso que o tempo pare para eu dormir. Preciso de férias. Dos outros. Dos meus problemas. De mim.

Auto-escravidão

auto-escrvidao

Odeio me sentir escrava do meu próprio pessimismo, da minha insegurança e da minha estima. Essa bipolaridade de achismos, incertezas e gostos me deixa plantada em um abismo que parece cada vez fundo. Até que hora vou conseguir usar algo que me levante, até que hora a luz no fim do túnel vai aparecer? Amadurecer requer auto-suficiência, crescer significa abrir mãos de regalias e ter que decidir por si próprio. O comodismo da lugar a culpa das falhas serem unicamente suas e não mais de ninguém. Alias, como é gostosa e ilusória a sensação de nunca se culpar, não é? Já sinto saudade de me cegar por uma mentira que me fazia bem. Crescer trás tanta responsabilidade como vantagens. Mas por enquanto as vantagens saem perdendo de dez a zero nas desvantagens. Crescer também, é lutar por si mesmo, lembrar de levar a blusa de frio quando vai esfriar e não ter ninguém para pedir “mais cinco minutinhos”. Crescer é ser egoísta forçadamente. Crescer é sentir saudade da responsabilidade… de não ter responsabilidade.

Daqui uns dez anos…

Daqui uns 10 anos

Daqui uns dez anos… É impossível imaginar o rumo que minha vida tomará e mesmo assim eu ainda tento. Quero descobrir se já vou ter os três filhos que planejo, se já vou estar casada e como ele será. Vou ser uma advogada séria e clássica ou uma socióloga maluca e contestadora? Ou um pouquinho de cada? Como vou ter encontrado meu marido? Sei lá. Será que a gente vai se esbarrar em algum teatro diferente e ser amor a primeira vista? Será meu colega de classe na faculdade? Ou algum amigo que se tornou algo mais? Ele vai ser ruivo, moreno ou loiro? Olhos claros ou escuros? E meus filhos? Vão parecer comigo?

Ano de decisão e vestibular. Mil e uma perguntas e poucas repostas. Ano de vestibular é o ano que sua vida inteira passa pelos seus olhos enquanto o professor de química tenta resolver um exercício que você julga impossível. E justo essa explicação vai cair no ENEM ou na Fuvest. É o ano em que você não sabe o que quer… ou se sabe imagina como será sua vida financeira. Como você vai convencer seus pais a mudar de cidade. De estado. De região. E morar sozinha. Se aventurar em algo totalmente novo e desconhecido. Largar a vidinha mais ou menos da sua cidade para tentar a sorte em uma cidade gigante e cheia de oportunidades. Ou seria uma cidade formigueiro que um membro não faz falta? Sei lá. Ano de vestibular é assim. Se sentir muito velho e muito novo. Tudo ao mesmo tempo. Ser quase adulto e quase adolescente. Época de se sentir estranho.