Pausa para melancolia

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Tá tudo indo muito rápido e muito devagar. Minha mente, como sempre, está a mil por hora, junto com esse ano despedaçado de inutilidade. Jurava que ia ser bom. Mal passou um semestre e minha vida continua indo a mesma coisa. Não conheci muita gente nova. Não fui em lugares diferentes. Não encontrei alguém que se pareça comigo. Ando rodeada de gente, e mesmo assim me sinto vazia. Parece que o tempo e a idade moldam as pessoas para que sejamos padrão e nunca nós mesmas. Será que alguém vai conseguir me enxergar pelo que sou, sem precisar de uma bendita máscara? O tempo tá passando tão depressa e com eles meus sonhos e planos. Tão distantes. Minha força de vontade para lutar por eles também. Maldita insonia. Maldito surto da madrugada. Não entendo como consigo ser tão bipolar e mesmo assim ser tão previsível. Droga. Gosto de controlar tudo, mas não consigo de jeito nenhum controlar minha mente. Porque tão confusa, indecisa e fraca? Queria poder saber lidar com tudo que vem aparecendo de forma balanceada. Mas não consigo sequer aumentar minha nota de química, quem dirá todo o resto. Preciso da minha hora dobrada. Preciso que o tempo pare para eu dormir. Preciso de férias. Dos outros. Dos meus problemas. De mim.

Naquele momento

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Naquela momento ela sabia que era amada. Talvez todo mundo soubesse que era amada em uma hora como essa, mas ela sentia algo diferente. E a falta de palavras não a atormentaram dessa vez. Em vez disso, um sorriso foi preenchido enquanto a certeza de algo começava a surgir.

  Mas vamos começar pela primeira página. Talvez a protagonista acredite em sorte, destino, ou apenas alguém brincando de marionetes lá em cima. Eu não poderia dizer… E veja a parte irônica da história: Sou uma narradora onisciente. Onisciente até demais, mas na cabeça da tal menina, nem o mais intensa hipnose poderia adentrar dentro da sua mente confusa. Passo a narrar agora sem sinopses, introduções ou balelas, o começo de tudo. Ou de algo.

  Desde o começo daquelas férias a rotina de ir na casa do vizinho do terceiro andar já era um ritual sagrado. Eles ficavam lá sem nada para fazer, mas com todos os assuntos inúteis que melhores amigos tem. Falavam sobre jogos, filmes, música e até relacionamentos. Ter melhores amigos homens tem lá sua vantagens, mas a melhor era: Poderia ir do jeito que bem entendesse. Colocava o primeiro shorts jeans que via no armário, a sua t-shirt mais larga do Led Zeppelin – de longe sua banda favorita -, um chinelo acompanhado de um coque bagunçado, e ia para a melhor parte da sua tarde: ir para a casa do seu xodó. E engana-se você, se pensar que o relacionamento colorido vai nascer nesse dia. Provavelmente se ela lesse isso faria cara de nojo: ele era seu irmão, e permaneceria sempre assim. Mas naquele dia teve algo diferente: O primo dele iria passar o final das férias na sua casa. Ele era do interior, e acabara de mudar para a Capital. Tinha uns dezoito anos e enquanto seu apartamento não terminasse a reforma, ia se hospedar na casa de seu vizinho. Era o tipo que ela via no Tumblr: Cabelo bagunçado, camisa xadrez, alagador e sorriso torto. Sua perna virou gelatina, e não por causa de ele ser um lindo – Que olhos acinzentados são esses? – Mas pelo fato de estar com cara de que acabou de sair do hospício. Cumprimentaram-se com um beijo no rosto, e o silêncio de desconhecidos surgiu no quarto, que logo em seguida foi quebrado por uma musica da Madonna, preferida do seu melhor amigo. “Tira isso” os dois repetiram em coro, e se entreolharam devido a sincronização de pensamentos. Poderia te dizer com certeza, que no momento em que esses sorrisos e olhos se cruzaram, que a atração nasceu ali. O estilo despojado e alternativo da menina era totalmente diferente das patricinhas do interior em que ele morava, e isso era demais.  A personalidade, o gosto musical e os olhos dele a hipnotizaram. E que cara cheiroso!

  A partir dai o destino brinca de dar uma de diretor de comédia romântica: Em uma semana os dois já sabiam quase tudo um do outro: Seus gostos, manias, jeitos de pensar, e até que eles eram espiritas. Ele era meu desiludido com amor, frio, seco, e conseguia ser sarcásticos nas horas mais improváveis. E até nisso eles concordavam. Mas, o destino aparece de novo, e faz com que uma parte assustadora de um filme de terror vire um abraço apertado e cafuné nos cabelos. E justo na hora que ele fosse se despedir com o tradicional beijo no rosto ela vire para falar alguma coisa e um selinho aparece. O motivo de risada dos dois é quebrado em trinta segundos pelo olhar dele sério, apaixonante e tentador. E ah, as borboletas no seu estômago vieram dizer olá. Suas pernas ficaram meio bambas – e dessa vez não foi por algo que ela estava vestindo – e de repente todo seu corpo queria que aquela cena acontecesse de novo. Ele se aproximou lentamente, acolhendo-a em seus braços e a beijou. A química que existia desde o primeiro dia em que se conheceram se multiplicou, triplicou e até hoje eles não conseguem explicar o que acontece quando eles ficam juntos.

  Eles estão ficando sério a uns dois meses, exatos. E apaixonados. Talvez até se amem, mas não vamos colocar a carroça na frente dos bois né?! Era uma sexta a noite, dia de assistir filme. Já disse que eles são meio sistemáticos na programação da semana? Até demais. O filme do dia era Godzilla, um clássico de noventa e oito. Eu não sei vocês sabem, mas uma das musicas que tocam no filme é Kashmir, do Led Zeppelin. Sim, ele se lembrava da camiseta que ela usava na primeira vez que eles se viram. E sim, ele foi no Google pesquisar um filme que a banda tocasse. E ele nem comentou com ninguém, mas teve que ir em três locadoras para achar a bendita super produção. Tudo isso, para que no momento em que Robert Plant começasse a cantar, ela se virasse e dissesse as seis palavras que ela já esperava – em segredo – a um tempão: Eu te amo. Quer namorar comigo?