Incessável

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Entrelacei meus dedos nos teus enquanto aninhava-me no seu tórax e a me aconchegava como em outras mil noites em que você me fazia companhia. Mas essa noite não era como uma das mil outras. Essa era a ultima noite em que eu sentiria sua respiração no meu pescoço e seu perfume em minha blusa.

Em cinco horas você iria viajar como uma das milhares de vezes, só que dessa vez iria chamar outro lugar de casa. E consequentemente eu perderia meu lugar favorito da cidade.

E enquanto o tempo voava, eu me esforçava para oprimir essa dor cáustica dentro de mim de saudades antecipadas mas a tentativa foi em vão. O ar estava tão denso, tão triste, tão melancólico. Como se todo mundo soubesse ou quisesse contribuir para essa tristeza de finalizar algo que eu queria que continuasse pra sempre externasse por ai.

Eu queria pra sempre sua voz melodiosa cochichando no meu ouvido, eu queria para sempre sua blusa virando meu pijama, eu queria para sempre deixar minha escova do lado da sua.

Como eu queria para sempre, no final das contas, não te perder. De uma vez só perdi um amigo, um amor e um lar. E tudo que eu não quero é ficar sozinha. Sozinha sem você.

Castanho-claro-quase-verde

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Quando eu me perco no abismo dos meus pensamentos, sentimentos e dúvidas, eu miro bem no fundo dos seus olhos. O castanho-claro-quase-verde que me salva em meio o furacão de incógnitas me faz esquecer por horas as incertezas mais profundas aqui dentro da minha cabeça.

O poder – ou magnetismo – da paz que você transmite não consigo em nenhum outro lugar. Nem na maior dose de tequila do bar, nem no abraço das minhas amigas, nem horas ouvindo minha banda favorita. Só com você. Seu abraço, seu beijo, seu corpo, seu amor.

Consigo imaginar você do meu lado sempre. Dormindo de conchinha enquanto o mundo desaba janela a fora e nosso pedacinho de paz cria uma muralha em volta de qualquer energia negativa. Consigo imaginar, fechando meus olhos, a sua respiração calma e mansa do seu sono do meu lado, e sorrio discretamente agradecendo por ter você.

Imperfeição

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 Talvez a palavra que defina qualquer ser humano habitável nesse planeta seja imperfeito. Eu sei, todo mundo sabe, mas basta entrar em alguns padrões que a sociedade impõe que essa característica é esquecida.

Eu sempre soube disso, apesar de achar a mais imperfeita de todas. Poderia ficar a manhã inteira citando meus defeitos para você. Sabe, nunca fui chegada acreditei em Papai Noel quando criança, sequer cogitei a existência conto de fadas. E olhe só, quando você apareceu comecei acreditar que existisse mesmo essa tal de sorte. Príncipe encantado então, piamente… E talvez essa história de cara metade seja mesmo verdadeira.

Mas veja bem, essas histórias que eu passei a infância inteira ouvindo eram protagonizados por princesas e príncipes. Ricos, cheio de qualidades e sem defeitos. Rica eu não sou nem de perto, minha voz não é doce, odeio usar vestido, e puderá eu ter um cabelo tão invejável e brilhoso.

E é por esses fatos que eu te amo. Você não me aceitou por causa dessas características. Você me aceitou com os milhões defeitos juntos. Você me aceitou bem mais do que eu aceito a mim mesma. Você me entendeu, me ajudou, e viu o melhor de mim quando nem eu mesma achava que tinha um. Você me fez melhor, você me fez mais feliz, e o mais importante: me completou.

Manhã

'dormindo

Sabe, hoje eu sonhei com você. Sonhei que tudo deu certo, e que finalmente eu consegui o que eu queria. Sabe aqueles sonhos em que você sente absolutamente tudo e intensamente? Foi assim.

Ainda não consigo ter certeza se fiquei feliz ou arrependida por essa noite. Conseguia sentir sua respiração com hálito de cigarro misturado com cerveja, e com a camisa do Led Zeppelin que você tanto venera. Consegui ainda, embriagada com o seu hálito, sentir o seu perfume. Era uma mistura de cheiros, sensações que aguçavam meu sentido.

Eu não consigo nem lembrar o que conversamos. O sonho passa rápido nessa parte. Só ouço sua voz distante enquanto concentrava em observar o movimento da sua boca enquanto falava. Foi então, que você me beijou. Nessa parte se passava – para o meu tormento ou alegria – em câmera lenta. Seu hálito estava cada vez mais forte, seu beijo exigente… um beijo tão quente, mas a sua boca era tão refrescante, como pode? Sentia seu abraço, seu perfume novamente, e minha mente se tornava um vazio de pensamentos, que só era preenchido por sua mão acariciando minha nuca. Era um primeiro beijo. E era um pedacinho de nós sendo desfeito ao amanhecer.