Anoitecer

anoitecer

A noite chegou diferente hoje. O clima tá mais nublado, gelado e acolhedor. Talvez tudo em volta decidiu se adaptar ao nosso amor e acolher o nosso dia de forma especial. Eu me deito em seu colo, enquanto as conversas nunca param com os diversos assuntos que vão aparecendo de forme espontânea. Você vai sussurrando frases monossilábicas e quando vejo já estou hipnotizada – de novo! – pelo seu olhar. O frio parece competir com o calor do momento e a única coisa importante é eu estar com meus lábios nos seus. A conexão entre nós se intensifica e nesse meio tempo eu suspiro por amar você tanto assim. Você parece ler minha mente quando repete isso em voz alta e acrescentar o quão sortudo é. Era um desses sábados em que o por do sol decide ficar mais bonito, colorido e inesquecível. Era um desses sábados em que duas almas distintas se transformavam em uma só.

Te vejo

te vejo

Te vejo de longe, em meio a multidão que passa entre nós. Todo se desfoca, o resto vira resto e seus olhos miram aos meus. Doces, delicados. Intensos. Queria entender a intensidade de um olhar, de um gesto, de nós. A razão perde para o sentimento. De novo. Meu coração começa a bater tão rápido que alguém lá longe consegue escutar. Eu esqueço como respirar. Seu perfume me embriaga. Cada vez mais perto. Seu abraço. Seus ombros largos me protegendo. De tudo. De todos. Palavras ao pé do ouvido. Sua mão na minha. Sua mão na minha nuca. Seus lábios. Meus lábios. De repente tudo vira um só. Em sintonia. Diferentes corações, mas um mesmo sentimento: De amar.

Manhã

'dormindo

Sabe, hoje eu sonhei com você. Sonhei que tudo deu certo, e que finalmente eu consegui o que eu queria. Sabe aqueles sonhos em que você sente absolutamente tudo e intensamente? Foi assim.

Ainda não consigo ter certeza se fiquei feliz ou arrependida por essa noite. Conseguia sentir sua respiração com hálito de cigarro misturado com cerveja, e com a camisa do Led Zeppelin que você tanto venera. Consegui ainda, embriagada com o seu hálito, sentir o seu perfume. Era uma mistura de cheiros, sensações que aguçavam meu sentido.

Eu não consigo nem lembrar o que conversamos. O sonho passa rápido nessa parte. Só ouço sua voz distante enquanto concentrava em observar o movimento da sua boca enquanto falava. Foi então, que você me beijou. Nessa parte se passava – para o meu tormento ou alegria – em câmera lenta. Seu hálito estava cada vez mais forte, seu beijo exigente… um beijo tão quente, mas a sua boca era tão refrescante, como pode? Sentia seu abraço, seu perfume novamente, e minha mente se tornava um vazio de pensamentos, que só era preenchido por sua mão acariciando minha nuca. Era um primeiro beijo. E era um pedacinho de nós sendo desfeito ao amanhecer.

Instante

E lá estava, imóvel. Era difícil imaginar como um brincalhão e hiperativo como ele, poderia permanecer tão concentrado. Seus olhos se encontravam com o meu, e nesse instante tudo desaparecia. Aquele olhar. Os olhos cor de mel, o motivo do meu pouco, quase nulo, entendimento sobre o que é amar. E o motivo da minha insônia. Passava horas rolando na cama, com meu fone de ouvido no volume máximo na inútil tentativa de tentar desviar meus pensamentos para o futuro que eu não queria que acontecesse.

A notícia veio por telefone: “Amor, passei no vestibular, eu consegui!” Em meio a choro, sorrisos, comemorávamos devido ao esforço que ele havia feito pelo seu sonho, a ficha caiu: Medicina em uma das faculdades mais concorridas do país. O problema? 900 km que separam a faculdade da cidadezinha interiorana em que moro. 900 km que afastam do meu pedacinho de conto de fadas, de porto de seguro, da minha felicidade.

Malas despachadas, e o anúncio de embarque final. Seus lábios…beijo exigente, melancólico, beijo de despedida…abraço apertado,  e um eu te amo sussurrado selava assim a experiência do meu primeiro amor.