Vênus moderna

venus moderna

É inverno com gosto de verão. Quente lá fora, abafado, seco… como se agonia daqui de dentro resolvesse dar as caras ao meu redor. Uma panela de pressão tá formando no meu coração e pronto para estourar de saudade. Parece o tempo perfeito para sentarmos em frente aquele lago enquanto as arvores em volta davam a sensação de estar friozinho. Você levava meia duzia de cerveja, uma erva estranha e o som. Enquanto o Armandinho embalava nossa noite, você me beijava e eu queria parar o tempo. Toda a complexidade de todo o resto do mundo ia embora no seu abraço. Tudo parecia ser tão anatômico e perfeito que eu mal acreditava que eu protagonizava de verdade aquela história. As onze horas as luzes se apagavam e você agia como você acendendo o isqueiro e vendo duas luas. Eu olhava nos seus olhos e você olhava nos meus. Era tudo tão intenso que os cinco minutinhos se estendiam para o por do sol e você me levando para tomar cappuccino e pão na chapa. Tudo tão perfeito. E rápido. Como você. Passou como uma faísca, foi embora e deixou o restinho de você em mim. E histórias. Muitas delas que preencheram algumas páginas da minha vida.

Tô de férias

to de ferias

As semanas preliminares as férias me pareciam intermináveis… cansativas, extensas…chatas. Prendiam-me em algo que até hoje não sei o significado, e muito menos terá definição. Correntes. De agonia. Tristeza. Coração dolorido e machucado. As férias se tornaram mais úteis que de costume. Depois de uns dez meses senti percorrer nas minhas veiais a famosa liberdade. Consegui usar minha mente para o bem e meu coração sofreu impeachment. Pude ver certo, sem as curvas da minha estima, da minha tristeza e das minhas derrotas. Consegui enxergar claro, nítido, colorido e de longe a minha felicidade vindo aos poucos, mansa e concreta aderir cada vez mais na minha pele sem a mínima vontade de voltar para aquele buraco escuro que se escondia.

Obstáculos? Ok. Alguns. Ganhei de brinde com essa independência e amadurecimento (tardio?) livrar-me de algumas pessoas que antes eram “essenciais”. Aprendi com o ultimo ano na escola, o significado do Adeus coletivo. Penca de professores, escola, uniforme e pessoas. A última dói mais. As vezes, nos não-tão-mais-casuais colapsos meu coração pede arrego. E aí, José? Voltar atrás? Parece que não. Costumava superar a minha falta de amor próprio procurando-o nos outros, e com isso ganhava menos paz e carinho. Costumava distribuir tantos sorrisos que não sobrava nada para mim. E quando eu precisava… ninguém retribuía. Sociedade egoísta. Gente egoísta. Pude entender um pouco sobre o que é isso… Guardei todo esse sentimento para mim. Vivendo de autos: suficiência, amor, carinho e felicidade. 

Parte dois

parte II

Em um ímpeto ato coloquei tudo a perder. Agi conforme o bendito álcool manda e como é de praxe, fiz merda. Queria poder reviver todo o final de semana e agir corretamente dessa vez. Queria redesenhar alguns pontos da minha história, apagar outros e tirar algumas cicatrizes no meio. Incrível como quando alguma coisa dá errado, todas as outras vem a tona, né? Isso sempre acontece comigo e me faz escrever de madrugada, me despedir da lua e dar oi ao sol. Já perdi as contas de quantas vezes as palavras já amenizaram essa sensação, só que dessa vez me sinto pior. Remoer o passado é como reviver aquele presente e levar todas essa bagagem para o futuro… A tal da ressaca moral.

Confiar

confiar

Vai… desliza sua mãos entre os fios do meu cabelo enquanto nossos olhares nos conectam em um só. Me diz, só hoje, o que se passa com você, só que dessa vez de verdade. Sem rodeios, curvas. Enquanto estivermos juntos  não existira dissimulação, nem mentiras, nem segredos. Enquanto estivermos juntos, como estamos agora, não vão haver barreiras. Vai, eu consigo ver teu sofrimento e você consegue ver o meu por não poder te ajudar. Sua cabeça anda tão complicada como a minha era? Ou pior? São tantos questionamentos para alguém que fica tão fechado. Não vai adiantar se esconder de você mesmo, nem se trancar no seu mundinho paralelo. Você sabe que precisa encara-los. É difícil. Bem difícil. Mas vai por mim, é necessário. Não vai haver milhões de litros de destilados, nem maços de cigarros e nem gramas de maconha que irão te fazer esquecer disso. Por algum tempo, talvez. Mas não para sempre. Vai, manda pra longe essa barreira e olhe para o lado. Tô aqui. Do seu lado. Para quando você precisar. Prometo.

Vídeo da semana

video da semanenha

Proposta diferente do vídeo da semana. A história do Nick Vujicic é de arrepiar e toda vez que eu assisto fico emocionada. É muito lindo e emocionante ver vídeos motivacionais porque as vezes a ficha não cai que existem pessoas em situações piores que a nossa. Ai quando cai essa ficha, percebemos como reclamamos de barriga cheia. Admiro esse cara que com todos os problemas consegue ter um sorriso a tiracolo. Lição de vida. Duvido você não derramar uma lágrima com esse vídeo.

O que restou de nós

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Já revirei o baú de lembranças e procurei nos sentimentos empoeirados um restinho de você. O tempo passou rápido demais e levou consigo todos os meses, dias, horas e segundos que vivemos juntos para bem longe. Longe de tudo. De amigos próximos, lugares frequentados e gostos musicais. Conseguiu – depois de tanto sofrimento – levar você e todas minhas memórias para bem longe. Cheiros, gostos, sensações. Não sobrou sequer nostalgias para marcar alguma página do livro. Confesso que tentei folhear-lo em busca dos sentimentos perdidos, mas não encontrei nada. Sequer me lembro daquela música que você me disse que gostava e que te dava sensação de liberdade enquanto você dirigia na chuva. As vezes me dá uma angústia de não ter um pedaço de papel para me fazer lembrar o que eu era quatro anos atrás. Ou algo palpável. Mas talvez o destino agiu diferente e pregou uma peça limpando todos os rastros e destroços que você fez com meu coração e na minha mente. Destino, Deus ou eu mesma… Sei lá. A única sensação que me resta de tudo isso é o alívio e liberdade. Libertei meu coração, meu sofrimento e a tristeza e de brinde ganhei minha felicidade de volta.

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