Final

Final

Sempre fui aquele tipo de menina que não gosta de extremos. Você sabe disso mais do que ninguém. É estranho pensar que nossa história se cruze e descruze tanto por ai. Só que dessa vez parece que chegou ao final. Nunca gostei de palavras extremistas – apesar de escrever sempre com elas -, mas é hora de encaixa-las na nossa história. Talvez um adeus seja um palavra um tanto comum para me despedir. Já inventaram uma palavra que exprima todos os sentimentos vividos com você? Acho que não. Seria demais tentar escolher uma para definir amor, carinho, respeito, confiança e afeto. Seria demais uma palavra para definir a intensidade. A saudade. Sua voz inconfundível. Meu professor de química é de São Paulo e tem o mesmo sotaque que você, até nisso você consegue ser memorável. Queria, porém, dizer que você fora o primeiro de algo… Não foi. Talvez as primeiras experiencias tenham passado, ou elas sequer existiram. Foram todas restritas a uma chamada de duras horas e centenas de quilômetros. Não sei. É estranho pensar que duas almas se conectem tão distantes. Quilômetros me lembra você também. E fofura. Mas você tá longe. Longe. Longe. Longe. Distancia. Merda. Quero você de corpo aqui do meu lado. Quero você. Físico. Por inteiro.

Paradoxo

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 Sempre gostei de te olhar a pé de olho. Enquanto balanço meus pés em um vai-e-vem chato, você me observa e tenta prever qualquer atitude. Ás vezes acho que analisa o quanto meu cabelo esta despenteado para notar meu humor. Já te falei o quanto eu te acho fofo fazendo isso? E confesso que, engraçado. Já te disse milhões de vezes que nem eu mesma me entendo. Vivo mais no mundo na lua, do que aqui, em terra firme. Talvez se você visse alguns dos meus quadros, ou dos poemas, entendesse a confusão que acontece aqui dentro. E entender é diferente de decifrar.

Acho que é por isso nos damos tão bem. Nunca fui de achar que a afirmação de que os opostos se atraem fosse mesmo verdade. E olhe só, aqui estamos, juntos. Eu tenho a impressão de quando estou com você, nada mais importa. Os meus, ou os seus problemas – como você vive dizendo – desaparecem. O mundo perde a razão, e só me concentro em ficar perto de você. É nessas noites que eu consigo entender a fração de tempo em que o instante se torna inesquecível.

Você vive me dizendo também, que sou um conjunto de paradoxos. Concordo. Sou tão incerta e tão confusa. Talvez por isso que te vejo como meu porto seguro. Quando fico deitada, agarrada ao seu corpo, e protegida em seus braços, eu me sinto segura. Sinto o que é carinho, sinto o que é paixão, sinto o que é amar.