Paradoxo

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 Sempre gostei de te olhar a pé de olho. Enquanto balanço meus pés em um vai-e-vem chato, você me observa e tenta prever qualquer atitude. Ás vezes acho que analisa o quanto meu cabelo esta despenteado para notar meu humor. Já te falei o quanto eu te acho fofo fazendo isso? E confesso que, engraçado. Já te disse milhões de vezes que nem eu mesma me entendo. Vivo mais no mundo na lua, do que aqui, em terra firme. Talvez se você visse alguns dos meus quadros, ou dos poemas, entendesse a confusão que acontece aqui dentro. E entender é diferente de decifrar.

Acho que é por isso nos damos tão bem. Nunca fui de achar que a afirmação de que os opostos se atraem fosse mesmo verdade. E olhe só, aqui estamos, juntos. Eu tenho a impressão de quando estou com você, nada mais importa. Os meus, ou os seus problemas – como você vive dizendo – desaparecem. O mundo perde a razão, e só me concentro em ficar perto de você. É nessas noites que eu consigo entender a fração de tempo em que o instante se torna inesquecível.

Você vive me dizendo também, que sou um conjunto de paradoxos. Concordo. Sou tão incerta e tão confusa. Talvez por isso que te vejo como meu porto seguro. Quando fico deitada, agarrada ao seu corpo, e protegida em seus braços, eu me sinto segura. Sinto o que é carinho, sinto o que é paixão, sinto o que é amar.