Você.

 VOCÊ

Me deitei nessa cama com a certeza que esqueci de algo essa noite. Olhei em volta, e tudo permanecia a mesma coisa. A janela um pouco aberta com o barulho do transito que me faz dormir. O vento gelado. A coberta com cheiro de amaciante de bebê. Meus desenhos pendurados na minha escrivaninha. E na mesa um dos milhões de textos que já escrevi. Mas, talvez, seja algo dentro de mim. Procurei. Procurei. Procurei. Talvez um pedaço de mim tenha ido no momento em que a porta bateu, e você se foi sem aviso prévio. Um dia, dois, três. Uma semana, duas, três. Um mês, dois, três. O tempo só sabe brincar de ser cronológico. Porque entre o tempo psicológico e cronológico existe um buraco. Negro. Fundo. Um abismo de sentimentos, pensamentos, sofrimentos. Acho que tudo isso junto se chame saudade. Vivem me dizendo que isso vai passar. Também vivem me dizendo para correr atrás do que me faz bem. Me diz como escolher? Era você que me ajudava com isso. Era você o escolhido para eu deitar minha cabeça em seu colo, enquanto eu pensava e você deslizava suas mãos em meu cabelo. A melhor sensação do mundo. Ou uma das. Você sempre foi – e será que sempre será? – a melhor sensação que já provei. A unica que mexe com todos meus sentidos, com todos meus pensamentos em uma sequência que embaralha-desembaralha-embaralha-desembaralha meus pensamentos. Você… presente que deveria ser passado…

Talvez seja isso

talvez seja isso

Talvez seja isso. Marcas de quase dezessete anos de coisas que não queria ter vivido, pessoas que foram cedo demais, e pessoas que ficaram demais. Talvez seja isso, pretérito mais que imperfeito e algumas cicatrizes para contar história. Talvez seja isso, uma parte intensa e longa da parte ruim de um filme. Talvez seja isso, arrastar-se a um mar de negativismo para no final achar algum lugar que eu possa chamar de casa. Queria descomplicar um pouco. Só para variar.

Solução

Sempre acreditei em que detalhes fazem toda a diferença. Qualquer um. Seja em um bilhete que sua mãe deixou na geladeira falando que te ama, ou um parabéns na prova gabaritada (e suada!) de química!

E são esses pequenos detalhes que vão determinar o rumo que seu dia, mês, levará. Passamos por muitas agonias no dia, tristezas, estresse. E se não fizermos nada em relação esses sentimentos, eles vão alimentando a nossa energia, esgotando, até ativarmos o modo automático, e perdemos a graça que vemos na vida.

Cada pessoa tem um ponto de escape. Os meus? Um banho bem quente, escrever. Algo que me desligue dos meus problemas, nem que seja por dez minutos. Esses tais momentos desligados, nos ajudam a ver os obstáculos com outros olhos, e quem sabe achar uma solução!

Você pode achar em qualquer coisa… desenhando na borda do caderno, ouvindo uma musica (alegre, né!), deitada no escuro, vendo fotos, lendo. E lembre-se sempre o que o Bob Marley dizia: “A vida é para quem topa qualquer parada. Não para quem pára em qualquer topada.”