Sobre saudade…

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Não tem Aurélio, professor Paquale ou Wikipédia que defina. Saudade não tem forma, gosto, tato, cheiro. É um abraço, um beijo, um aperto de mão vazio, um jogo a um que não pode ser jogado. É uma mistura de sentimentos, e mesmo assim ainda não há forma. Não há nada. Talvez a melhor forma de se tentar decifrar é pensar em um vazio sangrento. Uma ferida que não parece cicatrizar enquanto arde, machuca, rasga, fere. É sentir sozinho, enquanto uma multidão atravessa por você em meio ao silêncio… do seu pensamento, da alma, do seu coração pedindo alguém de volta.

Passado e alguns quilômetros

 textooo

Hoje, vasculhando minha própria mente me lembrei de você. Lembrei de todos os momentos em que vivemos, sorrisos, promessas trocadas, conversas sussurradas em uma madrugada que está dizendo boas vindas ao nascer do sol. Me lembrei da temperatura baixa, e eu agarrada no travesseiro ouvindo sua voz inconfundível, enquanto pensava silenciosamente no quão sortuda eu era por ter te conhecido, e mais ainda por ter você ao meu lado.

Queria poder esquecer. Você entra de fininho e em menos de um segundo já se apodera de novo dos meus pensamentos, das borboletas no meu estômago em frenesi, e principalmente do meu coração.

É duro, ver que o tempo passou, a fila andou, e você está com ela. Queria ter a chance (leia-se coragem) de perguntar se o relacionamento aconteceu depois que abri seus olhos. Queria poder dizer que me arrependo, mas não. Alguns mil quilômetros nos separam, e aquelas conversas, as minhas preferidas, no silencio do amanhecer feriam demais e não iam se concretizar como eu queria, ou o que nós queríamos. Pudera também dizer que queria só seus braços para me fazer esquecer do mundo. Mas eu precisaria muito mais de isso para me satisfazer. Seus olhos, sua respiração, sua boca, seu corpo. Você. É, o tempo passou, mas algumas pessoas conseguem avançar do passado, e permanecer no futuro comigo. E sabe-se lá por quanto tempo.