Passado

'textinho

Ela olhava aquela caixa de madeira pequena com lágrimas nos olhos. Procurava ansiosamente um pedaço da sua adolescência em papel branco com linhas azuis, enquanto se deparava com fotos, cartas, colares e pulseiras. Parava por um só instante para tomar um pouco de ar em meio a tanta choradeira e voltava a remexer cuidadosamente (mas afobada) em busca do seu tesouro. Pronto. Lá estava. O bendito. Abria com cuidado o papel amarelado tomando cuidado para não rasgar o que permanecia intacto por quase dez anos.

12/01/2010
Oi… É estranho conversar com um pedaço de papel, principalmente sabendo que só vai ser lido por mim mesma. Talvez no futuro eu dê risada, mas agora me sinto uma idiota por escrever sobre o que eu faço com treze -quase catorze – anos. Conversei com ele hoje e me senti – veja só – uma idiota. Me diz porque uma pessoa que demonstra tanto interesse nunca vem falar comigo, e só eu com ele? Eu queria poder entender, mas toda vez que eu toco no assunto, a resposta é confusa, e me deixa ainda mais… apaixonada. Sim, eu sei que não deveria, mas gostar de um garoto mais velho me deixa assim. Eu prometo para mim mesma esquecer mas toda vez que a janela do msn pisca meu coração se derrete… e junto com ele minha inteligência de participar dos joguinhos. Ele pisa em mim e ainda quero mais.

Queria poder pensar o final dessa história, mas até hoje não sei. Depois conto o final dessa história. Mas posso adiantar que não termina bem, e desde então nunca mais vi o dito cujo.