Placebo

placebo

Cheguei em casa e o céu era uma mistura da noite indo embora e o sol nascendo, ainda que timidamente. Tive dificuldade para caminhar em linha reta e destrancar a porta de casa. Estava tudo vazio e o som da chave e dos meus passos ecoavam naquele pequeno apartamento de pequenos cômodos. Tudo estava tão escuro que tive a impressão que o apartamento se metaforizava em minha mente e aquele silêncio era, na verdade, um grito desesperado de um vazio que precisava ser ocupado por mais alguém.

Ignorei as súplicas do meu celular para ligar por você e caminhei lentamente, enquanto me despia enquanto cambaleava até o box do banheiro. Precisava de um banho. Precisa tirar as impressões de alguém que deveria ser você, o cheiro de álcool e meu cabelo fedendo a fumaça de nicotina.

Coloquei a musica mais triste enquanto o chuveiro embalava minha solidão e o choro abafado pelo meu orgulho de não derramar lágrimas por ninguém.

 Uma daquelas noites em que eu morria de saudade e de solidão.

 

2 comentários em “Placebo”

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